ah... posso chamar de 'liberdade poética' continuar usando o português que eu aprendi na escola? tenho apego com alguns hífens e acentos. :)
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terça-feira, 3 de novembro de 2009

Como quem não entra no D'Orsay porque já viu nos livros
Você ignora os desenhos que eu te faço
Segue sem saber que o mais bonito de Van Gogh está no volume de tinta que o pincel deixou
Bonito de tirar um pouco o ar da gente, de um jeito bom
Como o que eu imaginei pra nós, colorido, tiraria.
Um dia desses eu corto minhas orelhas pras suas graças
Guardo esses rabiscos num museu
e te deixo aí, sem tickets
Cego.

sábado, 31 de outubro de 2009

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

O melhor escolhedor-de-palavras EVER *

"Fragmentos disso que chamamos de "minha vida".
Há alguns anos. Deus — ou isso que chamamos assim, tão descuidadamente, de Deus —, enviou-me certo presente ambíguo: uma possibilidade de amor. Ou disso que chamamos, também com descuido e alguma pressa, de amor. E você sabe a que me refiro.
Antes que pudesse me assustar e, depois do susto, hesitar entre ir ou não ir, querer ou não querer — eu já estava lá dentro. E estar dentro daquilo era bom. Não me entenda mal — não aconteceu qualquer intimidade dessas que você certamente imagina. Na verdade, não aconteceu quase nada. Dois ou três almoços, uns silêncios. Fragmentos disso que chamamos, com aquele mesmo descuido, de "minha vida". Outros fragmentos, daquela "outra vida". De repente cruzadas ali, por puro mistério, sobre as toalhas brancas e os copos de vinho ou água, entre casquinhas de pão e cinzeiros cheios que os garçons rapidamente esvaziavam para que nos sentíssemos limpos. E nos sentíamos.
Por trás do que acontecia, eu redescobria magias sem susto algum. E de repente me sentia protegido, você sabe como: a vida toda, esses pedacinhos desconexos, se armavam de outro jeito, fazendo sentido. Nada de mal me aconteceria, tinha certeza, enquanto estivesse dentro do campo magnético daquela outra pessoa. Os olhos da outra pessoa me olhavam e me reconheciam como outra pessoa, e suavemente faziam perguntas, investigavam terrenos: ah você não come açúcar, ah você não bebe uísque, ah você é do signo de Libra. Traçando esboços, os dois. Tateando traços difusos, vagas promessas.
Nunca mais sair do centro daquele espaço para as duras ruas anônimas. Nunca mais sair daquele colo quente que é ter uma face para outra pessoa que também tem uma face para você, no meio da tralha desimportante e sem rosto de cada dia atravancando o coração. Mas no quarto, quinto dia, um trecho obsessivo do conto de Clarice Lispector "Tentação" na cabeça estonteada de encanto: "Mas ambos estavam comprometidos.
Era isso — aquela outra vida, inesperadamente misturada à minha, olhando a minha opaca vida com os mesmos olhos atentos com que eu a olhava: uma pequena epifania. Em seguida vieram o tempo, a distância, a poeira soprando. Mas eu trouxe de lá a memória de qualquer coisa macia que tem me alimentado nestes dias seguintes de ausência e fome. Sobretudo à noite, aos domingos. Recuperei um jeito de fumar olhando para trás das janelas, vendo o que ninguém veria.
Atrás das janelas, retomo esse momento de mel e sangue que Deus colocou tão rápido, e com tanta delicadeza, frente aos meus olhos há tanto tempo incapazes de ver: uma possibilidade de amor. Curvo a cabeça, agradecido. E se estendo a mão, no meio da poeira de dentro de mim, posso tocar também em outra coisa. Essa pequena epifania. "

* Caio Fernando Abreu

Não parece que tá dentro da cabeça da gente, o danado?
Tô obcecada.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

home

(ou Orquídeas voltam a florir )

Na minha casa quase nunca tem flores frescas.
Embora eu ache que elas são praticamente 'felicidade instantânea'. (amo!)
Acho que eu fico com medo de não saber cuidar direito e fico triste quando elas morrem e tem que partir.
Ou talvez não queira/saiba ter trabalho com outro ser vivo que não seja eu.
Ou esteja, apenas, sendo um pouco negligente com algo que pode me fazer bem.

Na minha casa tem um jogo de copos bonito na cozinha, mas as vezes eu fico com dó ( ou apego, ou cacoete-de-pobre) de jogar fora um copo de requeijão.
Mesmo achando que a vida é melhor sem copos de requeijão, tem um ou outro lá misturado que eu acabo até usando.

Uma casa, as vezes, é perfeita pra nossa vida durante um certo tempo, mas uma hora pode começar a não se encaixar.
Daí, ou a gente se muda dela ou a gente bota tudo abaixo e encara a bagunça que a reforma traz pra deixar ela linda e com sentido pra gente de novo.

Hoje eu fiquei pensando que viver é como ter uma casa. Que a nossa vida não deixa de ser a nossa casa.
Eu não sei se a metáfora funciona muito bem mas as vezes não dá pra arrumar tudo de uma vez. As vezes a gente sabe como gostaria que ela fosse, mas não consegue fazer. As vezes ela parece em ordem, mas na verdade só está uma coisa em cima da outra. Ou tá aquele caos que só a gente consegue se achar.
Ó, até com certo conhecimento profissional ( rs..) eu posso dizer que não adianta só projeto, planilha, orçamento e prazos em dia, a casa mesmo se faz com o tempo, vivendo, um dia depois do outro. De repente um canto que sempre pareceu ok, começa a precisar de um pouco mais de cor. As vezes é simples assim, como comprar uma almofada nova ou uma lata de tinta. As vezes nem tanto.
É a vida.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

away



me! me!
pick me!
take me!
( em clima assim bem 'prince-charming' mesmo, pq tem hora que todo o resto me dá uma preguiça...)

sexta-feira, 19 de junho de 2009

inverno é psicológico

Antes, era o mesmo edredon o ano todo.
E só meias, pros ventos polares do sul.
Você esquentou, definiu estações.
Calor-lençol, frio-casulo.
Não tem edredon, meia, pijama de flanela que dê jeito.
Não tem quem convença os cerebrinhos da minha pele,
É congelante quando você não está.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

receita anti dedo podre?

Todo mundo tem seus padrõezinhos de comportamento. Maneiras de criar a alegria e o drama nosso de cada dia.
Um auto-boicotezinho aqui, uma má escolha recorrente acolá. Um dedo-podre mais capaz de detectar um 'bom' canalha do que os radares da FAB...
Um insight sobre esses padrões, pode custar aaaanos de divã e nem sempre (quase nunca) é garantia de solução. (pelo menos não de uma receita pronta..essas coisas dão uma trabalheira!)
Mas o mais forte é aquele que conhece suas fraquezas. Não tenho pretensões de estar sempre certa e chega a ser reconfortante o fato de conseguir identificar quando estou agindo de acordo com o meu lado mais idiota. ( e como a Sil já disse algumas vezes: o idiota é como a História: se repete, repete, repete...)

Dedo podre é comigo merrmo. Apontou, é traste! Benzadeus, viu?
Vivo repetindo: "Me vê uma faquinha, por favor! pra cortar fora este meu dedo podre, que não me serve pra nada!" Tamanho é o faro pra encrenca desse meu 'lado idiota'.
(Olha que se cortar fora adiantasse mesmo, acho que dava até pra considerar a opção. rs...)
Mas, enquanto a faca não se apresenta como a única e derradeira solução garantida, insight vai, insight vem, fui chegando mais fundo na questão: Esse dedo podre tem Daddy issues written all over it! *
Eu sei que tem gente que acha arrogante definir conceitos com termos em inglês, até busquei Google afora, mas nossa língua não tem mesmo um termo equivalente. Sorry.
Na definição mais literal, Daddy issues seriam os padrões de comportamento gerados por uma relação pouco (ou zero) satisfatória da garota com a figura paterna. O que a levaria, na vida adulta, a buscar compensar esse vazio na auto estima nos relacionamentos amorosos. love me-love me-love me!
Cagada na certa.

Apesar de Freud já ter alertado, eu sempre me surpreendo com o poder do pai e da mãe sobre os adultos que nos tornamos. Bela bomba criar um filho psicologicamente Ok, né? que medo.
No passeio pelo Google, achei um blog ( mais um pra seguir...) com um post incrível sobre D.I.
A moça, deliciosamente irônica, diz: "Papais, se vcs rejeitarem suas filhas, elas se tornarão capachos carentes ou piranhas auto destrutivas"
Ô-ow.
Mas propõe uma solução muito criativa pras mocinhas ( e mocinhos, porque não?) com vestígio de carência ou necessidade de aprovação, afirmação ou elogio: Um 1-800-MY-DADDY (sensacional!) Um serviço que ofereceria uma variedade de vozes de pais, e o pai escolhido te elogiaria por até 5 minutos. Assim, sempre que sentisse o impulso de ligar pr'aquele canalha que já se provou incapaz de intimidade, fidelidade, etc.... O nice daddy dirá que vc é um gênio e , mesmo assim tão magriiinha, vc é tão linda que poderia ser Miss America! ( vale a pena ler o post todo, é ótimo. aqui)

Eu conheço bastante gente que ia querer o plano mensal. Eu, inclusive. Porque reforço na auto estima nunca é demais.

* Veja bem, eu não sou psicologa, embora viva cerdade de. Essa é apenas mais uma das minhas viagens analíticas. Mas eu boto-uma-fé: make sense, gentê!
Nas minhas pesquisas, descobri que até a Guerra do Iraque se atribui aos daddy issues do Bush, de querer ser um líder como o George-pai, que lutou na guerra e tals. E no cinema tb, vááárias alusões ao D.I.

We are only humans. Tudo que a gente quer é ser amado e reconhecido, no final das contas. Não é?

terça-feira, 14 de abril de 2009

Girls will be girls

Cruzaram olhares na escada rolante de um shopping. Ele olhou pra ela.
Ele comprou refil de café marroquino na Nespresso.
Ela casou com ele, viajou em lua de mel pra algum país do leste europeu e escolheu pintar a parede da sala de berinjela, porque combinava com o sofá vinho de veludo que herdaram da avó dele.

Não são só dois jeitos de ver a mesma coisa? Why so scared?
Eu gosto de ser menina, é um pouco aflitivo, mas é legal!

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Filosofia de mercado

( post colaborativo women glow + ia vinha , é uma "quote" de nós mesmas, que a gente fica muuuito filosófica depois de um muffin com frappuccino )

Sorte da mulher que tem gosto caro pra homens e barato pra sapatos.

Rá!

Na verdade mêishmo, pra homens, eu tô com o Miel, não dá pra seguir tendências ( olha esse post aqui, que sweetie!)
Mas, pra sapatos, mãããno!, 300 paus numa sapatilha? Deus, leva daqui esse meu gosto sofisticado que só me faz sofrer.
(táááá meu bem?!)