Peripécias de Branca de Neve, nascida com pele de porcelana-antes-da-queima, num país tropical.
Some-se a isso uma pitada de vaidade feminina, e faça idéia das aventuras solares a que essa cútis sobreviveu em quase 30 (!) anos de exposição semi-responsável.
Férias de verão de 2000 e poucos, Quito - Ecuador/ Ilhas Galápagos
Exótico, não? pois bem...
Nem precisa ser um ás da geografia pra sacar que o Ecuador fica cravado na linha do Equador, onde os raios solares incidem com toda a sua fúria perpendicular.
Num passeio de índio por uma praça nos arredores de Quito, onde os "locais" expunham suas redes, trançados e casacos de lã de lhama, tudo o que adquiri foi um bronze-marca-de-alça-de-regata. O abominável zé-regatinha. For Christ sake! Suficiente pra arruinar o restante das férias. (sim, essas coisas me abalam!)
'Calma, em Galápagos vc resolve isso, vamos ficar num resort ma-rra-vi-lho-so!'Tudo bem que nem Darwin sofreu tanto pra chegar até lá. Avião teco-teco, onibus das galinhas, barco, mais um busão, mais um barquinho (e as malas? jogadas com displicência de um lado pra outro. pânico.) mais uns 20 minutinhos a pé. Welcome to paradise!
Lá pelo terceiro dia de aventuranças por ilhotas com aves de patas azuis, iguanas e leões marinhos, abri mão da visita a George (a tartaruga-gigante amiga de Darwin falecida um dia desses) a fim de 'get even' com o meu bronzeado equatoriano. A-rá!
Tipico.
Protetor solar só na parte do zé-regatinha e naquelas que sempre queimam... a perna, abaixo do joelho nunca queima né? amadora!
Corta pra noite desse dia: Na escuridão do quarto, a sensação é de estar vertendo líquido ( sangue? água?) pela perna. Quando me levanto para ir ao banheiro, a impressão é de que a pele vai ceder, vai rasgar. Cara! Sério! Fui me arrastando feito uma iguana, para deleite tragicômico da minha irmã ( ela é daquele tipo que ri - muito - de desgraça, principalmente a minha). A cena era inacreditável.
Como desgraça não vem aos poucos nesses casos (principalmente pra gente ranzinza como eu ), o dia seguinte era o dia da epopéia de volta à capital, andaríamos ( andar??) 20 minutinhos, pegariamos barquinhos, onibus, barco, onibus...
Não sei como, eu descobri que se eu fizesse movimentos de passadas saltitantes uniformes, doía menos. Se eu parasse, era como se o sangue acumulasse na parte debaixo da perna e ela fosse explodir ( essa era a sensação. really! e naquele cafundó-do-judas não tinha ninguém que pudesse me salvar. eu ia voltar das férias amputada. I lost my legs in Galapagos!) Eu parecia uma autista-maluca, o grupo parava pra esperar o proximo 'veiculo' (podemos chamar assim?) e eu fica andando em circulos numa cadência ritmada. patética!
De volta a Quito, o lugar com ares atrasados que eu tenho mais antipatia no mundo, o nativo da farmácia se recusava a entender a gravidade da situação.
La niña se queimó! Eu queria algo pra queimaduras sérias, tipo segundo, terceiro grau... e o índio me vem com aloe vera?!
(aprendi depois que tem que ser uma loção sem alcool - o alcool rouba a água da, já agonizante, pele - e, óbvio o aloe vera deles tinha alcool! hunf.)
Por pouco essas minhas agruras epiteliais ( nas fotos se nota o meu bronze-vermelho-malagueta) não me privaram de uma das experiências mais sublimes da minha vida:
o mergulho (mergulhinho, vai.. que a gente ficou ali por perto do barco né irmã?)
Mas os cardumes e os leõs marinhos ( !) lá são destemidos, eles chegam bem pertinho. Essa foi minha única experiência do tipo, de olhos arregalados dentro daquela máscara, aprendendo a respirar com aquele aparato, eu só posso descrever como...morri e acordei no paraíso dos peixinhos coloridos. lhiiindo!
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PS.: Burro que é burro, animal de teta mesmo, não aprende com os próprios erros, certo?
Natal do ano seguinte, piscininha de plástico em Arujá. Solzinho razoável.
- Não vai passar protetor na perna? lembra do que acontenceu em Galápagos...
- Tô brincando aqui na piscininha, a perna tá dentro d'água, depois eu passo...
CORTA.
Irmã, aos risos, gargalhadas tendo que me servir o almoço de natal na cama, diante da expectativa de EXPLOSÃO da minha perna. AGAIN!
( foi aí que eu descobri que creme nívea é melhor que o aloe vera com alcool dos equatorianos... you live, you learn... sometimes, it takes a little...)PS.2: a branca de neve em questão é leitora de revistas de beleza desde a mais tenra idade. nunca fez uso irresponsável de óleo de urucum, rayito de sol ou coisa que o valha.
É o que? Burra mêmo? tsc,tsc...